sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

 
Salvador Dalí. A metamorfose de Narciso 1937.
Óleo sobre tela 51,1 X 78,1
Tate Gallery


A partir do desabafo crítico do cantor e compositor Herbert Vianna e analisando a pintura surrealista do artista Salvador Dalí, A metamorfose de Narciso, proponho uma reflexão sobre a sociedade atual, o momento em que nos encontramos.

Nesta obra, podemos observar duas situações concretizadas com traçados, luzes e sombras em diferentes lugares... à esquerda da tela, enxergamos um homem, que pode ser um pensador, contemplando a sua imagem no reflexo da água, abaixo de si. Eis a imagem de Narciso. Ao fundo vemos montanhas, pessoas conversando. Este momento me remete um tempo mais primitivo, provavelmente por ser marcado pela ausência, pelos tons, cores. Conforme observa-se mais a direita, ainda no centro da tela, ao fundo, podemos ver uma estrada, um caminho... As pessoas ao fundo parecem ir em direção à este caminho. Talvez o caminho que a humanidade percorreu até chegar onde estamos. Hoje, 2010. À direita vemos uma mão de pedra que segura um ovo. Do ovo nasce uma flor. Ao fundo, uma estátua que cultua seu corpo. Um outro Narciso. Esta parte da tela me remeta a atualidade. Talvez pelo material que é representado. Importante frisar que a obra foi feita no ano de 1937 e tudo o que falei acima é uma interpretação pessoal. Mas, continuando, os seres humanos escolheram o caminho da auto-destruição. O culto a imagem, essa obsessão baseada na perfeição e no supérfluo são as características mais marcantes da nossa sociedade.

E como chegamos até aqui?

Quando leio livros de grandes autores e pensadores, que viveram séculos antes de nós, me surpreendo com a profundidade das informações , das pesquisas, em um tempo que a tecnologia não existia, com recursos escassos. Naquele tempo, as pessoas sentiam, amavam, viviam... Uma vida era entregue à uma pesquisa, as pessoas eram intensas. Estamos chegando ao esvaziamento total e é tempo de despertar, olhar para os lados, perceber em volta e então olhar pra frente. Agindo como seres que fazem parte desse mundo e atuando de forma a cuidar do espaço que resta.. Vamos retomar a essência perdida no tempo...

Ainda podemos fazer um exercício de retomada e conscientização. No quadro A metamorfose de Narciso, uma flor ainda nasce de um ovo, de uma pedra, eis que houve uma transformação. Uma solução. Mesmo que pareça pouco, façamos a nossa parte!
Vamos educar nossos filhos, passar os valores daquilo que realmente importa e preencher esse vazio marcado pela obsessão de uma estética perfeita.
Vamos desligar a TV, ler um livro, fazer um pic-nic com os amigos, ter mais tempo pra família.

Vamos correr para ver o mundo!

Roberta Cadaval
11h55min
05 de fevereiro / 2010

2 comentários:

Ca Tavares disse...

adorei.... definitivamente essa minha amiga tem o dom de organizar pensamentos em palavras..! concordo em grau e genero... VAMOS CORRER PARA O MUNDO, VAMOS CORRER PARA A VIDA!!!

may zinn disse...

amore da minha vida...
alimentei meu blogg...
olha lá depois
com certez irás rir bastante...
hauhuahuaihuh
te amo muito
e vou nanar
beijos meu xuxu roxo!^^